16 > 27 MAR 2026
E.B.1 Chinicato
Inspirada no projecto Brinquedos de Cana Electrónicos – uma orquestra mecânica criada a partir de brinquedos tradicionais do Algarve – esta oficina convida as crianças a mergulharem num universo onde o artesanal se cruza com o experimental.
A actividade propõe a construção e transformação de brinquedos de cana, explorando o seu potencial enquanto dispositivos sonoros e expressivos.
Ao longo de duas semanas, as crianças percorrem duas fases: na primeira, aprendem a construir dois brinquedos tradicionais com cana (cartaxinho e roncadeira), seguindo técnicas ancestrais de manufactura, com o mestre Domingos Vaz e Carolina Garfo; na segunda, juntamente com Sérgio Cachibache, intervêm nesses objectos com motores, condutores e componentes electrónicos, dando-lhes vida através de movimentos e sons.
A oficina proporciona uma introdução acessível a conceitos básicos de electrónica, aliando saberes populares à experimentação artística e à criação colectiva.

Carolina Garfo é artista visual e vive em Paradela, Trás-os-Montes. O seu trabalho atravessa a cerâmica, o vídeo e a experimentação sonora, com um interesse contínuo por práticas tradicionais, saberes populares e objectos lúdicos, que revisita a partir de uma abordagem contemporânea e experimental.
É licenciada em Escultura pela FBAUL (2014). Concluiu a Pós-Graduação em Arte Sonora: Técnicas Experimentais (2024) e frequentou diversos programas e cursos em artes visuais e performativas: Maumaus (2016), Estrutura (2021) e FLAD (2023).
Expõe regularmente desde 2014. Entre os seus projectos mais recentes destacam-se Raverina (Cave, Solar Galeria de Arte Cinemática, 2025), Raverina’s Dance Floor (British Ceramics Biennal, 2025), Ornitofaunia (Museu Carlos Machado, 2023) e Juegos Tradicionales de La Luna Rosa (Oaxaca, 2022).
O seu projecto Raverina (2023), que cruza cerâmica, som e ficções, tem-se expandido em colaborações e residências, como Brinquedos de Cana Eletrónicos (Faro, 2024) e Dance Floor da Raverina (Oficinas do Convento, 2024).
Participou em várias residências artísticas em Portugal e no estrangeiro, como Bonecreiro (Museu de Olaria, 2021), Cerâmica e Som (TREMOR, 2022), Sonidos de Sud-América (Oaxaca, 2022) e Roda Baixa (Gondar, 2022) que co-coordenou uma residência dedicada à técnica ancestral da Soenga, culminando numa performance
colectiva.
Carolina desenvolve a prática da cerâmica em articulação com o território, construindo objectos, brinquedos e dispositivos sonoros em diálogo com comunidades rurais.
Integra também o espaço familiar – Arte da Terra – situada na aldeia de Paradela, onde
cria, expõe e dinamiza formações e outros eventos. Para além do seu trabalho individual, está envolvida na criação de dinâmicas culturais e associativas com a Acendalha, na região onde vive.

Nascido e criado na zona de Odeleite, em 1954, a terra dos cesteiros, Domingos Vaz aprendeu esta arte de ver os mais velhos fazer. Nessa altura os rapazes entretinham-se a dominar a cana, fazendo os brinquedos e entrelaçando cestos. Aprendiam assim, uns com os outros, na brincadeira.
Saiu da sua terra e dedicou-se aos caminhos de ferro. Viveu em várias cidades. Formou-se como Engenheiro Civil, mas em cada lugar novo procurava as canas para se manter ligado à terra e à sua gente. “Ao trabalhar as canas, eu sinto-me como se estivesse a ler um livro sobre a minha terra, a minha infância, a minha família”. Gosta de transformar as canas bravas, um material rude, em peças para os mais variados fins.
O seu carácter afável e o gosto por ensinar contribuíram para que colaborasse regularmente com o Projecto TASA na realização de workshops, minicursos e experiências criativas relacionadas com a cana.
Sérgio Cachibache é licenciado em engenharia multimédia e mestrado com especialização em música interactiva e design de som, é parte integrante do colectivo artístico berru, fundado em 2015, com Bernardo Bordalo e Rui Nó e existe também no estúdio-oficina iodo. Artista e investigador desenvolve conceptualmente e tecnicamente peças performativas, instalações, esculturas sónicas, e outras formas de expressão artística.
Desenvolve projectos de computação física, electrónica e robótica.
Explora a criação de instrumentos musicais acústicos, electro-acústicos e digitais. Objectos físicos, objectos digitais (em DAW ou com ferramentas de programação como PureData, Max MSP e SuperCollider), desde objectos reverberantes, módulos de síntese analógica modulares a instrumentos digitais (composição generativa; processamento de audio digital; sínteses). Investiga sobre interfaces de interação sónica.





